Aliados de Lula criticam rapidez do pedido de prisão e conclamam reação

Imediatamente após a publicação da notícia da decretação da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aliados dos petistas conclamaram nas redes sociais os apoiadores a reagirem e reclamaram da rapidez da decisão do juiz federal Sergio Moro, da 13ª Vara de Curitiba. Enquanto isso, adversários comemoraram e disseram que a Constituição foi cumprida.

A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) defendeu, em sua conta no Twitter, que Lula não se entregue em Curitiba, como foi determinado por Moro.

Presidente do PT, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) disse que a ordem de prisão “reedita os tempos da ditadura”.

O líder do PCdoB na Câmara, deputado Orlando Silva (SP), disse que a decisão foi um “atropelo completo”. Para ele, a decisão surpreendeu a todos, e significa uma “sanha” para prender o ex-presidente.

— Surpreendente a decisão do TRF-4 e do juiz Moro. Ontem mesmo o país inteiro assistia ao julgamento do Supremo Tribunal Federal e no mesmo dia em que o julgamento é concluído o TRF toma essa decisão? É um atropelo completo. É uma sanha para prender o presidente Lula. É o fim da picada, uma sanha que não há limite disse Silva.

O líder da Minoria no Senado, Humberto Costa (PT-PE) disse que a determinação é um “declarado abuso nessa caçada política”.

Mais indignada, a senadora Vanessa Grazziotin (PcdoB-AM) conclamou os aliados de Lula a reagirem e ironizou, dizendo que Lula só será preso porque não é do PSDB.

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS), em vídeo publicado nas redes sociais, declarou que “não aceita” a decisão do juiz Sérgio Moro e que participará de uma “grande vigília” em São Bernardo do Campo (SP):

— Isso é algo extremamente grave, inaceitável, nós não esgotamos todos os recursos no TRF-4 e isso significa uma enorme violência institucional, uma violência contra o maior líder popular da História deste país — disse Paulo Pimenta.

O líder do PSB na Câmara, deputado Júlio Delgado (MG), disse que a decisão foi estranhamente célere, e que contribui para acirrar o clima beligerante que se viu ao longo de quarta-feira durante o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) do habeas corpus do ex-presidente.

— Botaram os pés pelas mãos. Ontem o Brasil estava tomado por um clima de disputa beligerante em torno da prisão. Ainda restavam recursos a serem analisados, ninguém esperava que essa prisão fosse ser decretada ainda hoje. Todos imaginavam que o TRF 4 e Moro esperariam a poeira baixar. Não esperaram nem o prazo de publicação da decisão do STF. Houve uma celeridade fora do comum. Quiseram executar a pena rapidamente, e isso só agudiza o sentimento de beligerância — afirmou.

O Globo