Fátima se ‘assusta’ com crise financeira do RN: ‘Situação pior do que imaginávamos’

A governadora eleita Fátima Bezerra (PT) disse nesta sexta-feira, 30, que a crise fiscal e financeira do Estado do Rio Grande do Norte é mais grave do que ela imaginava. As informações preliminares da equipe de transição de governo, embora ainda sem dados oficiais, apontam para um quadro de insolvência nunca antes vista na história político-administrativa nas terras de Poti.

A petista receberá o Estado com salários atrasados (veja notas na coluna), gastos com pessoal que compromete 72% da receita (bem acima do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal), um “rombo” mensal na previdência estadual de R$ 120 milhões e dívidas com fornecedores. O governo precisaria de pelo menos R$ 2 bilhões para sanear as contas.

Não há milagre para se esperar algo nesses 30 dias que restam para encerrar a desmantelada gestão do governador Robinson Faria (PSD). Portanto, o problemão cairá no colo da futura governadora. Ponto.

Cabe a Fátima Bezerra – e não há outra saída – ter coragem de enfrentar a crise com as medidas amargas que a situação exige. Ela tem dito, em todas as ocasiões, que “não existe fórmula milagrosa”, deixando entender que vai fazer o que for preciso para corrigir o desequilíbrio fiscal-financeiro. Beleza.

Agora, Fátima terá o apoio necessário para adotar as medidas amargas. A principal delas, e não há como fugir, é o aumento da alíquota da previdência que aperta ainda mais os salários dos servidores. A proposta é subir de 11% para 14%, o mesmo percentual sugerido pelo atual governo no pacote “RN Urgente” e que o Fórum de Servidores Estaduais se armou para impedir que o projeto passasse pelo crivo da Assembleia Legislativa (Veja matéria na página 3 de política).

As entidades sindicais, companheiras de Fátima e de seus projetos políticos, gritaram que aumentar a alíquota da previdência era um “crime” que Robinson queria atentar contra os servidores. E agora? Aceitará o sacrifício em nome de Fátima?

Pois bem.

Fátima, o PT e seus companheiros estarão do outro lado do balcão a partir de 1º de janeiro de 2019. Não cabe a eles o ataque porque passarão a ser vidraça. O estilingue estará em outras mãos, que não esperarão muito para atirar as primeiras pedras.

O fato é que o estado está falido e que a missão de recuperá-lo será de Fátima Bezerra. Foi para isso que ela foi eleita. O povo potiguar espera que a futura governadora tenha a capacidade de resolver os problemas, como ela disse ter quando foi à praça pública pedir o voto de confiança.

O estado não suportará por mais tempo a negligência de quem ocupa o principal gabinete do Centro Administrativo.

Por Carlos Santos/JORNAL DE FATO