Tomba Farias: ”Fátima deve vender tudo se quiser resolver problemas do RN”

Luiz Antônio Lourenço de Farias, ou simplesmente Tomba Farias, é um político cuja experiência como prefeito de Santa Cruz por duas vezes e deputado estadual pode ser resumida num desafio: resolver problemas. Muito antes que se falasse numa economia de guerra, ele promoveu demissões em série na prefeitura de sua cidade e, quando o político só falava em agradar suas bases, ele cobrou impostos atrasados e enfrentou a ira popular.

Ao participar nesta quinta-feira, 28, do programa A Hora é Agora, na rádio Agora FM (97,9), ancorado por Renato Dantas, Tomba Farias foi perguntado sobre quase tudo da política atual do Rio Grande do Norte e do Brasil. Organizamos um resumão com os tópicos mais importantes.

100 dias de Fátima Bezerra

“Justiça seja feita. Ela pegou a situação do Estado já deteriorada. Agora, a governadora precisará fazer o que deve ser feito. Porque nada vai cair do céu. Fátima Bezerra deve vender todos os ativos possíveis para superar a crise. Hoje, quem tem saudade da Cosern como ela era antes da venda? Aliás, a venda da companhia possibilitou fazer várias obras no RN e hoje, a cada novo governador que passa pelo Estado, é uma Cosern nova que se recebe, já que a empresa paga entre R$ 250 milhões a R$ 280 milhões de ICMS todo ano. Na minha opinião, até a Caern deve ser vendida, como também a Potigás e o Centro de Convenções, que funcionará bem melhor com a iniciativa privada. Da mesma forma, o Governo do Estado não deve aportar recursos na educação superior. Hoje, há 9 mil alunos na Uern, dos quais 4.500 são do RN e os demais de outros estados. Pergunto: qual a obrigação do Estado de pagar o ensino (superior) para as pessoas que vem de fora?”.

Bolsonaro X Maia

“O presidente está no caminho errado. Não se resolve nada numa democracia sem o Congresso, não se administra um país sem o presidente da Câmara, sem o presidente do Senado. A hora é de união, já que a urgência do momento é a reforma da Previdência – uma tarefa muito árdua e difícil, diga-se de passagem. E nós sabemos: o País precisa dessa reforma para retomar a trilha do desenvolvimento. O Brasil está com 13 milhões de desempregados, uma crise econômica e política muito grande; os estados estão aí com o pires na mão, enquanto o presidente da República gasta uma manhã assistindo a um filme no cinema. O presidente reconhece que não é um bom conciliador, mas é preciso lembrar mais uma vez Tancredo Neves para quem a política não se fazia sem a presença e uma boa conversa”.

Congresso e Reforma da Previdência

“Eu vejo no Rodrigo Maia boa vontade de levar esse processo da reforma da Previdência adiante. A troca de farpas entre o presidente e Rodrigo Maia precisa ser substituída por uma conversa definitiva sobre a intenção de ambos no processo. O presidente pode ter até boas intenções, quando diz que quer acabar com o fisiologismo, mas não pode se perder em declarações nas redes sociais”.

Filhos de Bolsonaro

“É o problema que mais me preocupa. Eles falam o que vem à cabeça e, o pior, falam em nome de quem? Do presidente da República. Trata-se de um momento delicado que vivemos em que qualquer desequilíbrio pode custar caro ao País”.

Robinson e o rombo

“Robinson está pagando hoje pelos próprios erros. Ele tinha as condições de fazer as mudanças e não fez. E acho que Fátima Bezerra pode entrar no mesmo caminho. Durante sua gestão, Robinson sacou R$ 1,3 bilhão do fundo da previdência dos servidores e se beneficiou do dinheiro da repatriação de brasileiros no exterior, que rendeu mais uns R$ 700 milhões. Acrescente a esta conta outros R$ 670 milhões que o deputado Fábio Faria obteve para a Saúde e que chegou de uma vez para o Rio Grande do Norte. Robinson ainda negociou a conta do Estado com o Banco do Brasil, o que rendeu algo como R$ 180 a R$ 200 milhões. Somando, tudo deu em torno de R$ 3,1 bilhões. E o que aconteceu? O Estado ainda ficou com um déficit de R$ 30 milhões referente ao décimo terceiro dos servidores de 2017 e outros R$ 90 milhões do décimo terceiro de 2018, além das folhas de novembro e dezembro último”.

Representatividade do RN

“Infelizmente, nós perdemos nossos grandes nomes em Brasília. Quando tínhamos essa representação, recebemos coisas importantes. As ambulâncias do Samu, por exemplo. Os R$ 27 milhões trazidos para a reforma do Centro de Convenções. Os R$ 12 milhões que ajudaram na construção do teleférico de Santa Cruz e aí com ajuda do ex-senador José Agripino. Tudo isso foi trazido pelo então presidente da Câmara Federal, Henrique Eduardo Alves. Da mesma forma, ele teve participação na finalização do Museu da Rampa e sob muitos aspectos em obras de pavimentação na cidade de Natal.

Já Fernando Bezerra e Iberê Ferreira de Sousa tiveram participações importantíssimas na atração de recursos federais. Fernando Bezerra, quando foi senador da República e líder no Congresso Nacional, chegou a trazer R$ 130 milhões para os municípios do Rio Grande do Norte. E, nessa época, todo o município recebia ajuda, qualquer que fosse”.

Tomba, prefeito

“Quando assumi a prefeitura de Santa Cruz, uma das minhas primeiras medidas foi demitir 280 funcionários. Na época, a prefeitura tinha mil funcionários da folha de pagamento. Depois de enxugar a folha, eu e minha sucessora pagamos todos os precatórios. Só eu paguei R$ 8 milhões. O prefeito que assumir Santa Cruz em 2020 não encontrará nada para pagar. Implementei o ISS, o IPTU, a CIDE – Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico. Cobramos os tributos devidos, o que sempre gera grande impopularidade. Ou era isso ou um processo por improbidade. Aguentei passeatas populares contra as medidas. E hoje tenho amigos prefeitos que não fizeram o que eu fiz e estão com os bens bloqueados pela Justiça. E, mesmo assim, nunca deixei de ganhar uma eleição em Santa Cruz”. As iinformações são do Agora RN.